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Como acompanhar meta de vendas por vendedor

Meta de vendas por vendedor funciona quando três coisas estão escritas antes do mês começar: o que conta como venda, em que data ela entra no placar e de quem ela é. Sem essas três definições, o painel deixa de fora a venda de um vendedor e conta duas vezes a de outro, e ninguém confia no número.

Se essas três definições mudam por equipe ou por canal na sua empresa, a gente monta em cima da sua regra: planilha sob medida para meta de vendas.

Numa distribuidora, o painel dava R$ 106 mil para uma vendedora que tinha feito R$ 58 mil. Os R$ 48 mil de diferença eram vendas de um colega, e no placar dele esse valor não aparecia. Uma abria a tela e via quase o dobro do que tinha feito, enquanto o colega via menos do que tinha feito, no mesmo mês e pelo mesmo motivo.

A gente viu isso em uma distribuidora que também faz a instalação do que vende. Operação B2B, obra em cliente, ticket alto e uma equipe pequena de vendedores. O comercial tinha um programa de gestão de um lado, um programa de relacionamento com cliente do outro e a agenda em planilha no meio. O que faltava era uma planilha sob medida com essas três definições escritas.

O painel de metas existia e mostrava número todo dia, só que errava nas três definições ao mesmo tempo.

Definição 1. O que conta como venda

Quase nenhuma empresa tem essa resposta escrita, e cada vendedor acaba respondendo de um jeito.

Proposta enviada conta? Pedido aprovado por WhatsApp conta? E quando o cliente aprova mas a obra só começa em 60 dias? E se ele cancelar no meio?

Escolha um evento e um só. Em venda com instalação, o que funciona é o pedido formalmente aprovado pelo cliente, com valor fechado e escopo definido.

Essa escolha não pode ficar com o vendedor. Quando cada um decide sozinho quando lançar, o mês fecha com dois critérios convivendo na mesma tela.

Definição 2. Em que data a venda entra

Uma venda tem no mínimo quatro datas: aprovação do cliente, emissão da nota, execução da obra e recebimento do dinheiro. Elas podem estar a meses de distância uma da outra.

A meta comercial usa a data da aprovação. É a data que o vendedor controla.

O financeiro usa a data do recebimento. A execução usa a data da medição. Os três relatórios vão dar números diferentes no mesmo mês, e está certo que deem. O problema começa quando alguém compara o painel comercial com o extrato do banco e conclui que a planilha está errada.

Escreva qual data cada tela usa, e coloque isso no rodapé da tela.

Definição 3. De quem é a venda

Venda com dois vendedores envolvidos precisa de uma regra combinada no fechamento do pedido.

Ou você divide o valor em duas linhas, com percentual definido no fechamento do pedido, ou você define um dono único e o segundo entra como apoio, sem valor. As duas regras funcionam, desde que ninguém lance o valor cheio para os dois, porque aí a soma do time fica maior do que o faturamento.

E tem o caso mais comum de todos, a venda sem vendedor preenchido: ela entra no faturamento, não entra na meta de ninguém e só reaparece na diferença do fim do mês.

O que conta e o que não conta

Evento Conta na meta Data que vale Erro que a gente mais vê
Orçamento enviado Não Vendedor lança para inflar o mês
Orçamento aprovado por escrito Sim Data da aprovação Lançado só quando a nota sai
Nota emitida Não, já foi contada Data da nota Conta duas vezes, na aprovação e na nota
Obra executada Não Data da medição Vira meta de produção, não de venda
Dinheiro recebido Não Data do crédito Confundido com meta comercial
Venda cancelada Sim, como estorno Data do cancelamento Fica no placar para sempre
Venda de dois vendedores Sim, dividida Data da aprovação Valor cheio para os dois
Venda sem vendedor Precisa ter dono Data da aprovação Some do painel e aparece no faturamento
Aditivo de escopo Sim, como linha nova Data do aditivo Somado por cima da venda original

Essa tabela cabe em uma página impressa na parede do comercial.

O painel que somava R$ 106 mil para quem vendeu R$ 58 mil

Foi o erro mais caro que achamos naquela distribuidora.

O painel mostrava R$ 106 mil de venda para uma vendedora. O número real dela era R$ 58 mil. A diferença de R$ 48 mil vinha de vendas que pertenciam a outro vendedor e que, no painel dele, não apareciam.

Repare que o erro anda em dupla: a vendedora aparecia com quase o dobro do que fez porque o colega aparecia com menos do que fez. Se a comissão saísse desse painel, uma receberia a mais e a outra a menos, no mesmo mês e pelo mesmo motivo.

O painel não estava inventando venda, estava atribuindo cada uma ao vendedor errado, porque o vínculo entre pedido e vendedor vinha de um cadastro que existia em duplicidade.

Aliás, a duplicidade era visível em outro lugar. O painel tinha 1.453 cadastros de cliente. O programa de relacionamento tinha 4.020. Faça a divisão: 1.453 sobre 4.020 dá 36,1%. Quase dois terços da base não chegavam ao painel.

O mesmo tipo de furo aparecia na execução. Uma obra tinha dois lançamentos de 21 metros, ou seja, 42 metros contratados. A fórmula pegava só o primeiro lançamento e usava 21 metros como base. O resultado na tela era 171% de execução. Multiplique: 171% de 21 metros dão 35,9 metros instalados. Divida esses 35,9 pelos 42 metros reais e você chega a 85,5%. A obra não estava adiantada, estava faltando 14,5% para terminar.

Painel que passa de 100% quase sempre está dividindo por um denominador menor do que o contratado.

A conta da meta de R$ 600 mil

Agora os números da meta, na ordem em que a gente fez com eles na sala.

A meta do ciclo era R$ 600 mil. O painel mostrava R$ 106 mil vendidos.
106.000 dividido por 600.000 = 0,1767, ou seja, 18% da meta. Era esse o número que todo mundo olhava.

Quando fomos conferir venda por venda, existiam 9 vendas reais, somando R$ 71.588,48.
71.588,48 dividido por 600.000 = 0,1193, ou seja, 11,9% da meta.

A diferença entre os dois painéis é 106.000 menos 71.588,48, que dá R$ 34.411,52 que apareciam como venda e não eram venda daquele grupo.

Agora a parte útil. Com 9 vendas somando R$ 71.588,48, o ticket médio é 71.588,48 dividido por 9, ou seja, R$ 7.954,28.

Para chegar aos R$ 600 mil com esse ticket: 600.000 dividido por 7.954,28 dá 75,4. Arredonde para cima: 76 vendas no ciclo.

Já foram 9. Faltam 67 vendas do mesmo tamanho, ou R$ 528.411,52 em valor.

Se o ciclo é de doze meses, são 76 dividido por 12, ou seja, 6,3 vendas por mês. Em reais, R$ 50 mil por mês.

Essa última linha é a que muda o comportamento do time, porque o vendedor consegue agir sobre 6,3 vendas por mês, com duas fechadas neste mês, e não consegue agir sobre 18% da meta.

Acompanhamento tem que ser semanal

Meta olhada uma vez por mês só dá notícia no dia 30, quando não sobra tempo para reagir.

O que funciona é a leitura semanal com quatro números por vendedor: quanto ele fechou na semana, quanto acumulou no ciclo, quanto falta para a meta e quantas vendas do ticket médio dele cobrem o que falta.

O quarto número é o que o vendedor entende na hora: em vez de R$ 528 mil faltando, ele lê 67 pedidos, cerca de 6 por mês.

Junte a isso o funil da semana seguinte: quantas propostas em aberto, somando quanto. Se o funil aberto for menor do que o que falta da meta, o problema está na geração de oportunidade e não no fechamento.

Onde a planilha caseira quebra, e como arrumar

Planilha guarda venda por vendedor sem esforço nenhum. O problema aparece quando ela é montada às pressas, e nesse caso costuma falhar sempre nos mesmos três pontos.

O primeiro é a atribuição. Se o nome do vendedor é digitado, existe “Ana”, “ana” e “Ana Paula” na mesma coluna, e o total por pessoa nunca fecha. Conserto: uma aba de cadastro com os vendedores e validação de dados na coluna, com lista suspensa. Assim o nome do vendedor é escolhido na lista em vez de digitado.

O segundo é a data. A planilha de sempre tem uma coluna de data só, e quando o comercial, o financeiro e a execução precisam de datas diferentes, alguém adapta a coluna existente e o histórico anterior fica sem sentido. Conserto: quatro colunas de data desde o começo, aprovação, nota, medição e recebimento, cada painel somando pela sua. Data em branco quer dizer que a venda ainda não chegou naquela etapa.

O terceiro é o acesso. O vendedor precisa ver a própria meta atualizada sem mexer no valor fechado. Conserto: as células de fórmula ficam protegidas, só a coluna de lançamento fica liberada, e cada vendedor entra por uma aba, com o painel consolidado somando as abas.

Aqui vale o aviso com todas as letras: planilha não esconde a aba de um colega de quem tem o arquivo. Se o seu caso exige que um vendedor não enxergue de jeito nenhum o número do outro, isso ela não faz. Na prática quase todo comercial quer o contrário, quer o placar do time à vista, e aí a planilha sob medida dá conta do recado inteiro.

Perguntas frequentes

Como acompanhar meta de vendas por vendedor?

Escreva três definições antes do mês começar: o que conta como venda, em que data ela entra no placar e de quem ela é. Depois leia quatro números por vendedor toda semana. Numa distribuidora, a meta de R$ 600 mil aparecia com 18% cumpridos, e a conferência venda por venda mostrou 9 vendas somando R$ 71.588,48, ou 11,9%.

Qual data usar para contar a venda na meta do vendedor?

A data em que o cliente aprovou o pedido por escrito, porque é a data que o vendedor controla. Uma venda tem no mínimo quatro datas: aprovação, emissão da nota, execução e recebimento, às vezes com meses de distância. O financeiro conta pelo recebimento e a execução conta pela medição, então os três relatórios divergem no mesmo mês.

Por que o painel mostra venda maior do que o vendedor fez?

Quase sempre por atribuição errada, não por venda inventada. Numa distribuidora, o painel dava R$ 106 mil para uma vendedora que tinha feito R$ 58 mil, e os R$ 48 mil de diferença eram vendas de outro vendedor. A causa era cadastro duplicado: 1.453 clientes no painel contra 4.020 no programa de relacionamento, ou 36,1% da base.

Vale a pena montar o acompanhamento de meta em planilha?

Vale, com um limite conhecido: planilha não esconde de um vendedor o número do colega quando ele tem o arquivo. Ela resolve atribuição por lista suspensa, quatro colunas de data e fórmulas protegidas. Numa distribuidora, esse desenho separou R$ 34.411,52 que apareciam como venda do grupo e não eram. A maioria dos times quer o placar à vista.

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Comece conferindo venda por venda

Antes de mexer em qualquer fórmula, faça o que a gente fez naquela sala. Pegue o total que o painel mostra e liste as vendas uma a uma, com data, cliente, valor e vendedor.

Se a soma da lista não bater com o painel, o que precisa ser corrigido não é a meta, é o critério do que está entrando na conta.

A gente monta a planilha desse acompanhamento sob medida, com as suas regras de atribuição, o seu ticket médio e a leitura semanal por vendedor. O número na tela passa a ser o mesmo que você contaria na mão.

O que entra numa planilha sob medida

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