Planilhas Personalizadas

Controle de vasilhame e casco em distribuidora

Academia Excel
Escrito por Academia Excel em 18/09/2026
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Casco não é estoque, é saldo de cliente. Enquanto o engradado está no bar, ele continua sendo patrimônio da distribuidora, só que guardado por outra pessoa. O controle que funciona não pergunta quantos cascos existem no depósito, pergunta quantos estão com cada cliente e desde quando.

Distribuidora que trata vasilhame como item de estoque vê o número certo no depósito e perde a conta do que está na rua. O depósito fecha com 2.100 engradados, todo mundo assina embaixo, e ninguém sabe que outros 640 estão espalhados em 38 clientes, alguns há mais de um ano.

Se a sua distribuidora precisa desse saldo por cliente, com os itens e os prazos de vocês, a gente monta uma planilha sob medida para o controle de casco, com a regra de troca dentro da fórmula.

O que fica parado na rua

Uma distribuidora de porte médio costuma ter o valor de um caminhão usado em poder de terceiros, sem enxergar isso em lugar nenhum. Este é o retrato de uma operação com 38 pontos ativos:

Item Reposição unitária Em poder de clientes Valor parado
Engradado plástico de 24 R$ 32,00 640 R$ 20.480,00
Garrafa 600 ml retornável R$ 2,80 9.400 R$ 26.320,00
Barril inox de 30 L R$ 390,00 34 R$ 13.260,00
Cilindro de CO2 R$ 430,00 19 R$ 8.170,00
Chopeira em comodato R$ 2.900,00 7 R$ 20.300,00
Total R$ 88.530,00

Os R$ 88.530,00 não aparecem no balanço como conta a receber e não aparecem no estoque como mercadoria. Ficam num limbo que só existe na cabeça do vendedor da rota.

Quando o vendedor sai da empresa, o limbo sai junto.

As quatro movimentações que precisam de registro

Vasilhame se movimenta de quatro jeitos, e cada um mexe no saldo de um jeito diferente.

Saída com a venda. O cliente comprou 40 caixas e levou 40 engradados. O saldo dele sobe 40.

Retorno na próxima entrega. O cliente devolveu 37 engradados vazios. O saldo dele cai 37 e sobram 3.

Troca no ato. Entrega 40, recolhe 40, saldo não muda. É o caso mais comum e o mais perigoso de não registrar, porque parece que nada aconteceu.

Venda do casco. O cliente não devolve e paga o valor. Sai do saldo de vasilhame e entra em contas a receber, com vencimento e cobrança como qualquer outro título.

Uma planilha que só tem coluna de entrada e saída de mercadoria não distingue a terceira da quarta. E é exatamente aí que o dinheiro some.

O fechamento do mês em quatro contas

No fim do mês, quatro números fecham o controle de vasilhame de qualquer distribuidora:

  1. Saldo na rua no primeiro dia
  2. Mais o que saiu no mês
  3. Menos o que voltou no mês
  4. Igual ao saldo na rua no último dia

Se a conta não fecha, tem movimentação sem registro. Não é erro de fórmula, é entrega que o motorista fez e não anotou.

Um mês real dessa distribuidora, só em engradados:

Conta Quantidade
Saldo em 1º de setembro 598
Saíram com vendas 1.412
Voltaram nas entregas 1.370
Saldo calculado em 30 de setembro 640
Contagem física nos clientes conferidos 617
Diferença 23

Vinte e três engradados a R$ 32,00 dão R$ 736,00 em um mês. Repetido em doze meses, R$ 8.832,00, que é mais do que a distribuidora gasta com o contador no ano inteiro.

Quando o casco não volta

O prazo muda tudo. Casco parado há 15 dias é operação normal. Casco parado há 120 dias é prejuízo em formação.

A regra que a maioria das distribuidoras acaba adotando tem três faixas:

Dias com o cliente Situação O que fazer
Até 30 Giro normal Nada, é o ciclo da rota
31 a 90 Atenção Vendedor cobra a devolução na visita
Acima de 90 Cobrança Emite título pelo valor de reposição

Para essa regra funcionar, a planilha precisa guardar a data de cada saída, não só o total. Um cliente com saldo de 60 engradados pode ter 55 de ontem e 5 de oito meses atrás. O total esconde os cinco. É por isso que modelo de estoque comum não resolve casco: ele soma quantidade e joga fora a data.

Comodato de chopeira e cilindro tem regra própria

Chopeira e cilindro não giram, ficam. São itens que a distribuidora empresta por contrato e recolhe quando o cliente para de comprar.

Três campos resolvem:

  • Número do contrato de comodato e data de instalação
  • Número de série do equipamento, que amarra a chopeira ao cliente certo
  • Volume mínimo mensal acordado, quando existe

O terceiro é o que ninguém registra e todo mundo discute depois. Chopeira cedida para quem compra 8 barris por mês continua na casa de quem hoje compra 1. O equipamento de R$ 2.900,00 está financiando um cliente que virou eventual.

Cruzar o volume comprado com o volume acordado, uma vez por mês, é uma coluna de comparação. Sem ela, a conversa de recolher a chopeira nunca acontece, porque ninguém percebe o momento.

O que registrar por movimentação

Seis campos dão conta:

  1. Data e número do documento de entrega
  2. Cliente e rota
  3. Item, com o código do vasilhame separado do código da bebida
  4. Quantidade que saiu e quantidade que voltou, em colunas diferentes
  5. Motorista ou vendedor que fez a movimentação
  6. Observação de avaria, para o casco quebrado sair do saldo com justificativa

O quarto item é o que separa o controle que funciona do que não funciona. Uma coluna só, com número positivo e negativo, parece mais enxuta e impede qualquer conferência por rota depois.

O quinto resolve discussão. Quando a diferença aparece, ela tem nome e data, e a conversa vira treinamento em vez de acusação. O mesmo raciocínio vale para o fechamento de caixa do dia, em que a diferença sem responsável nunca vira correção.

Perguntas frequentes

Vasilhame entra no estoque da distribuidora?

Entra, com código próprio, separado da bebida. O engradado de R$ 32,00 e a cerveja que vai dentro dele são dois itens distintos, porque um retorna e o outro não. Misturar os dois no mesmo código faz o estoque de bebida acusar sobra todo mês, na quantidade exata dos cascos que voltaram vazios.

Como cobrar o casco que o cliente não devolve?

Defina uma faixa de prazo e um valor de reposição por item no cadastro. Acima de 90 dias, o saldo vira título de cobrança pelo valor de reposição. Numa operação com 640 engradados na rua a R$ 32,00, cada 5% que não volta representa R$ 1.024,00 de perda, e a cobrança só é possível se a data da saída estiver registrada.

Qual a diferença entre casco e comodato?

Casco gira com a venda e volta na entrega seguinte, como o engradado e a garrafa retornável. Comodato fica no cliente por contrato, como chopeira e cilindro de CO2, e só volta quando o contrato acaba. O primeiro se controla por saldo e prazo, o segundo por contrato e número de série.

Dá para controlar vasilhame na mesma planilha da venda?

Dá, desde que a movimentação de casco tenha linha própria e não seja calculada a partir da venda. Entrega com troca no ato movimenta 40 para fora e 40 para dentro, com saldo zero. Se a planilha deduzir o casco do volume vendido, essa entrega desaparece do histórico e a conferência por rota fica impossível.

Leia também

Comece pelo que está na rua hoje

Não reconstrua o histórico. Peça ao vendedor de cada rota a contagem do que está em cada cliente hoje, lance esse número como saldo inicial e comece a registrar as movimentações a partir da próxima entrega.

Em 60 dias você tem o giro médio de casco por cliente. Em seis meses, a lista de quem nunca devolve, com valor e data, pronta para virar cobrança.

A gente monta essa planilha com os seus itens, o seu valor de reposição, as suas rotas e o cruzamento de comodato com volume comprado.

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Planilha sob medida para controle de vasilhame e casco

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