O rateio de créditos de energia solar é um percentual por unidade consumidora, informado à distribuidora, e ele precisa ser recalculado sempre que a média de consumo dos últimos 12 meses mudar.
Se você quer o percentual recalculado sozinho quando a média de 12 meses mudar, a gente monta: planilha sob medida para rateio de créditos solares.
A conta chega e o dono percebe pelo valor: uma unidade veio com crédito sobrando e outra pagou tarifa cheia no mesmo mês. Foi assim numa operação com uma geradora e sete unidades consumidoras que a gente organizou. O percentual tinha sido definido no dia da instalação, quando eram duas unidades, e nunca mais foi mexido. Enquanto isso, o galpão com câmara fria puxava consumo no verão e a sala comercial fazia o contrário.
Rateio fixo, definido no dia da instalação e nunca mais revisto, é o motivo mais comum de crédito parado numa unidade enquanto outra paga tarifa cheia.
A gente montou o controle de uma operação com uma unidade geradora atendendo sete unidades consumidoras. O rateio estava na cabeça do dono, sem nenhum registro escrito para conferir.
Enquanto foram duas unidades, deu para levar assim. Com sete, cada mês tem sete faturas, sete consumos diferentes e uma geração que varia com o sol.
O que a distribuidora espera receber
O rateio é uma informação formal que vai para a distribuidora, em percentual, unidade por unidade, e não um cálculo que fica dentro de casa.
A soma dos percentuais tem que dar 100%. Não 99,99% e não 100,01%. Essa é a primeira coisa que trava um pedido de alteração.
E o percentual vale até você mandar outro. A distribuidora aplica o que está registrado, mesmo que a realidade da sua operação tenha mudado seis meses atrás.
A média de 12 meses é o denominador
O percentual justo de cada unidade sai de uma divisão: a média de consumo dela nos últimos 12 meses, dividida pela soma das médias de todas.
A janela é de doze meses, e não a do mês passado, porque consumo tem estação. Um galpão com câmara fria consome muito mais em janeiro do que em julho, e uma sala comercial faz o contrário.
Se o rateio for calculado em cima de um mês só, ele vai favorecer quem teve pico naquele mês e prejudicar todo mundo no resto do ano. A média de 12 meses achata isso.
Cada nova fatura que chega empurra a janela para frente. É por isso que o rateio precisa de recálculo periódico numa planilha personalizada para esse rateio, e é por isso que ele não cabe na memória de ninguém.
As sete unidades, com o número na frente
Números de um mês real da operação. A soma das médias de 12 meses das sete unidades dá 4.600 kWh. A geração do mês foi de 4.200 kWh.
| Unidade | Média de 12 meses (kWh) | % de rateio | kWh alocados de 4.200 |
|---|---|---|---|
| UC 1 (matriz) | 1.850 | 40,23% | 1.689,66 |
| UC 2 | 940 | 20,43% | 858,06 |
| UC 3 | 620 | 13,48% | 566,16 |
| UC 4 | 480 | 10,43% | 438,06 |
| UC 5 | 350 | 7,61% | 319,62 |
| UC 6 | 260 | 5,65% | 237,30 |
| UC 7 | 100 | 2,17% | 91,14 |
| Total | 4.600 | 100,00% | 4.200,00 |
A conta de cada linha é a mesma: 1.850 dividido por 4.600 dá 40,2174%. E 940 dividido por 4.600 dá 20,4348%. Assim por diante.
O arredondamento que faz a distribuidora recusar
Arredonde os sete percentuais para duas casas e some. Dá 99,99%.
Falta um centésimo. Ele precisa ser jogado em alguma unidade, e o costume é jogar na maior, que foi de 40,22% para 40,23%. Sem esse ajuste, o formulário volta.
Parece detalhe, mas é ele que faz alguém refazer o pedido três vezes e perder um ciclo de faturamento inteiro.
A taxa de disponibilidade é o piso
Crédito abate consumo, mas não abate tudo. Toda unidade paga um mínimo mensal só por estar ligada na rede: 30 kWh no monofásico, 50 kWh no bifásico e 100 kWh no trifásico.
Isso muda a estratégia do rateio. A UC 7 consome em média 100 kWh e é monofásica. O mínimo dela é 30 kWh, então o máximo de crédito que ela consegue usar num mês é 70 kWh.
Ela recebeu 91,14 kWh. Sobraram 21,14 kWh que viraram saldo acumulado, e saldo tem validade de 60 meses.
Esse saldo não é perda definitiva, é dinheiro parado esperando consumo. Enquanto esses 21,14 kWh esperam, a matriz está comprando energia na tarifa cheia.
O erro do rateio fixo
Quando o rateio foi definido na instalação, ficou assim: 50% para a matriz e o resto dividido igualmente entre as outras seis, 8,33% cada.
Com a geração de 4.200 kWh do mês, cada uma das seis recebe 4.200 x 8,33% = 349,86 kWh. A matriz recebe 2.100 kWh.
Agora compare com o consumo real de cada uma.
A matriz consome 1.850 e recebeu 2.100. Sobraram 250 kWh. A UC 2 consome 940 e recebeu 349,86. Faltaram 590,14 kWh, comprados na tarifa cheia. A UC 3 ficou com 270,14 kWh de falta e a UC 4 com 130,14. Na UC 6 sobraram 89,86 kWh e na UC 7, 249,86.
Soma da falta: 990,56 kWh comprados na tarifa cheia. Soma da sobra: 589,72 kWh parados como saldo, em unidades que não têm consumo para usar.
O exemplo com número real, agora em dinheiro
Com o rateio proporcional da tabela, a conta muda. Cada unidade recebe 91,3% da própria média, porque a geração de 4.200 kWh cobre 91,3% do consumo total de 4.600 kWh.
A falta total passa a ser exatamente a diferença entre o que se consome e o que se gera: 4.600 menos 4.200 dá 400 kWh. E nada fica parado, porque nenhuma unidade recebe mais do que consome.
Compare os dois cenários no mesmo mês:
Rateio fixo: 990,56 kWh comprados na tarifa cheia.
Rateio proporcional: 400 kWh comprados na tarifa cheia.
Diferença de 590,56 kWh por mês. A uma tarifa de R$0,95 por kWh, são 590,56 x 0,95 = R$561,03 no mês. Em doze meses, R$6.732,36.
Esse valor apareceu só por dividir os sete percentuais pelo denominador certo, sem painel novo, inversor melhor ou placa a mais no telhado.
E o número cresce junto com a operação. Cada unidade nova entra dividindo o mesmo bolo, e o rateio antigo fica mais errado a cada entrada.
O que o controle precisa guardar
Três blocos, e nenhum deles é complicado.
O histórico de consumo por unidade, mês a mês, para a média de 12 meses ser calculada sem digitar de novo. A geração mensal da usina, para saber quanto tem para distribuir. E o percentual vigente registrado com a data em que passou a valer.
Esse terceiro bloco é o que quase ninguém tem. Sem a data de vigência do percentual, é impossível conferir se a distribuidora aplicou o rateio certo naquele mês. A fatura chega, o valor parece estranho e não existe nada para comparar.
Com o histórico, a conferência é uma subtração. A planilha calcula quanto cada unidade deveria ter recebido e mostra a diferença contra o que veio na fatura. Quando aparece diferença, você tem o número para abrir a reclamação.
Quando refazer o rateio
Recalcular todo mês é trabalho sem retorno. O percentual muda pouco de um mês para o outro, porque a média de 12 meses se move devagar.
Existem quatro gatilhos que pedem revisão, e eles não têm nada de teórico:
- Entrou ou saiu unidade. Toda vez que o número de consumidoras muda, o denominador muda. Sete viram oito e os sete percentuais antigos ficam errados na mesma hora.
- Uma unidade mudou de padrão. Câmara fria nova, ar condicionado central, turno a mais. O consumo dela salta e a média de 12 meses leva um ano para acompanhar.
- O saldo acumulado de alguma unidade cresce dois meses seguidos. É o sinal de que ela está recebendo crédito acima do que consegue usar.
- A geração caiu sem explicação. Placa suja, sombreamento novo, inversor com falha. O rateio não resolve isso, mas o histórico mostra o degrau na hora.
Fora desses quatro casos, uma revisão por semestre resolve. O que não pode é ficar cinco anos com o percentual do dia da instalação, que foi feito quando a operação tinha metade do tamanho de hoje.
Perguntas frequentes
Como calcular o percentual de rateio de energia solar entre unidades?
Divida a média de consumo de 12 meses de cada unidade pela soma das médias de todas. Com sete consumidoras somando 4.600 kWh, uma unidade de 1.850 kWh fica com 40,23%. A soma dos percentuais precisa fechar em 100,00%, e o mês isolado não serve porque consumo tem estação.
Por que a distribuidora recusa o pedido de alteração de rateio?
Costuma ser arredondamento. Sete percentuais arredondados para duas casas somam 99,99%, e o formulário volta. O centésimo que falta precisa ser jogado numa unidade, normalmente a maior, que passa de 40,22% para 40,23%. Sem esse ajuste, o pedido é refeito três vezes e perde um ciclo de faturamento.
Quanto se perde com rateio de energia solar fixo?
Numa operação com uma geradora e sete consumidoras, o rateio fixo levou a 990,56 kWh comprados na tarifa cheia no mês, contra 400 kWh no rateio proporcional. A diferença de 590,56 kWh a R$0,95 dá R$561,03 por mês, ou R$6.732,36 no ano, sem trocar uma placa sequer.
Quando é preciso refazer o rateio das unidades consumidoras?
Quatro gatilhos pedem revisão: entrou ou saiu unidade, alguma mudou de padrão de consumo, o saldo acumulado de uma delas cresceu dois meses seguidos, ou a geração caiu sem explicação. Fora desses casos, uma revisão por semestre resolve, porque a média de 12 meses se move devagar.
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Rateio é conta de todo mês
A usina foi o investimento e o rateio é a operação do dia a dia, e operação sem controle devolve menos do que o projeto prometeu.
Se você tem mais de três unidades consumidoras ligadas à mesma geradora, faça uma conferência hoje: pegue o percentual registrado na distribuidora e compare com a média de 12 meses de cada unidade. Se as duas listas não estiverem na mesma ordem de grandeza, existe crédito parado em algum lugar.
A gente faz a planilha sob medida com as suas unidades, o histórico de faturas mês a mês e o percentual vigente com data. O recálculo do rateio sai com um clique, e a conferência contra a fatura vira uma coluna de diferença.
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