Divida o custo fixo do mês pelo faturamento do mês. O resultado é um percentual, e é esse percentual que você desconta do preço de cada item que vende. R$ 2.220 de custo fixo sobre R$ 6.000 de faturamento dão 37%. Todo produto dessa loja carrega 37% do próprio preço em custo fixo.
Se você quer esse percentual se atualizando sozinho a cada mês fechado, a gente monta: planilha sob medida para rateio de custo fixo.
A conta por unidade parece a mais justa das duas, mas ela deixa de servir assim que o volume do mês muda. Numa confeitaria de R$ 2.220 de custo fixo, o mês normal deu R$ 1,48 por unidade e o mês de 900 peças deu R$ 2,47. O aluguel não mudou, a energia não mudou, e o custo da peça subiu 67%. Para acompanhar esse rateio você teria que reimprimir a tabela de preço todo mês, e se não reimprimir o preço do mês fraco sai errado.
O outro caminho é ratear por unidade produzida. Você divide o custo fixo pelo número de peças do mês e cobra esse valor de cada peça. Parece mais justo, mas trava logo no primeiro mês de venda fraca.
A gente ouviu a comparação entre os dois de um confeiteiro que dá mentoria para outras confeitarias. Ele testou os dois métodos nas lojas dos mentorados. A frase dele foi: “o que fica mais fácil é a porcentagem através do faturamento que a loja tem, do que por unidade de produto vendido”.
Vale para confeitaria. Vale igual para oficina, marmitaria, gráfica, salão e qualquer operação que vende itens de preços diferentes, e é a primeira conta que a gente coloca numa planilha sob medida de precificação.
O que entra no bloco de custo fixo
Custo fixo é o que sai do caixa todo mês mesmo que você não venda nada.
Aluguel, energia, água, internet, contador, salário, pró-labore, seguro, software, IPTU, manutenção, combustível de entrega.
Dois itens quase sempre ficam de fora dessa lista. O primeiro é a taxa da maquininha, que não é um valor em reais e sim um percentual da venda. Ela entra aqui do mesmo jeito, junto com o imposto sobre faturamento. O segundo é a sua retirada. Enquanto o dono tira só o que sobrou no fim do mês, é ele quem está bancando parte do custo fixo sem que isso apareça na conta.
Some tudo. Esse total é o numerador nos dois métodos que vêm a seguir, e a diferença entre eles está no denominador.
Método 1: rateio por unidade produzida
A conta é custo fixo dividido pelo número de unidades do mês.
Na loja de R$ 6.000 de faturamento, o custo fixo é R$ 2.220. Vamos rodar três meses.
Mês normal, 1.500 unidades produzidas. R$ 2.220 divididos por 1.500 dão R$ 1,48 de custo fixo por unidade.
Mês fraco, 900 unidades. R$ 2.220 divididos por 900 dão R$ 2,47.
Mês forte, 2.220 unidades. R$ 2.220 divididos por 2.220 dão R$ 1,00 redondo.
O aluguel, a energia e a carga de trabalho foram os mesmos nos três meses, e ainda assim o custo fixo por unidade variou de R$ 1,00 a R$ 2,47 dentro do mesmo trimestre. Se o preço acompanhasse o rateio, você reimprimiria a tabela três vezes.
Tem um segundo problema, pior que o primeiro: a unidade não é comparável entre produtos de preços diferentes.
Se você cobra R$ 1,48 de custo fixo de cada peça, um item que vende a R$ 3,00 está carregando 49% do próprio preço em estrutura. Um item que vende a R$ 60,00 carrega 2,5%. Na prática, o rateio por unidade pesa quase vinte vezes mais sobre o item barato do que sobre o caro.
Método 2: percentual do faturamento
A conta é custo fixo dividido pelo faturamento do mês.
Loja de R$ 6.000: R$ 2.220 divididos por R$ 6.000 dão 0,37, ou 37%.
Loja de R$ 15.000: R$ 3.000 de custo fixo divididos por R$ 15.000 dão 0,20, ou 20%.
Repare no que acontece quando você aplica o percentual de volta. 37% de R$ 6.000 dão exatamente R$ 2.220. O rateio fecha no custo fixo por construção, sem sobra e sem falta, desde que o faturamento do mês bata com a média que você usou.
E o peso passa a acompanhar o tamanho da venda. No item de R$ 3,00, 37% são R$ 1,11. No item de R$ 60,00, 37% são R$ 22,20. Assim o item mais caro absorve mais estrutura, que é o que acontece de verdade na loja.
Os dois métodos lado a lado
| Rateio por unidade produzida | Percentual do faturamento | |
|---|---|---|
| Base da conta | Custo fixo dividido pelas unidades do mês | Custo fixo dividido pelo faturamento do mês |
| Você precisa saber antes | Quantas unidades vai produzir | Quanto fatura em média |
| Mês fraco, 900 unidades | R$ 2,47 por unidade | 37%, sem mexer |
| Mês forte, 2.220 unidades | R$ 1,00 por unidade | 37%, sem mexer |
| Item que vende a R$ 3,00 | Carrega R$ 1,48, ou 49% do preço | Carrega R$ 1,11, ou 37% |
| Item que vende a R$ 60,00 | Carrega R$ 1,48, ou 2,5% do preço | Carrega R$ 22,20, ou 37% |
| Quando o mix de produtos muda | Refaz o rateio inteiro | Não mexe |
| Quando serve bem | Item único e volume contratado | Vários preços e volume que oscila |
Como o percentual entra no preço
O preço sai de uma divisão, e não de uma multiplicação sobre o custo.
Preço igual a custo direto dividido por (1 menos o percentual de custo fixo menos o percentual de margem).
Custo direto é o que só existe quando aquela venda acontece: insumo, embalagem, comissão, frete.
Na loja de 37%, com margem alvo de 30% e um item de R$ 0,90 de custo direto:
1 menos 0,37 menos 0,30 dá 0,33.
R$ 0,90 divididos por 0,33 dão R$ 2,73.
Na loja de 20%, mesmo item, mesma margem:
1 menos 0,20 menos 0,30 dá 0,50.
R$ 0,90 divididos por 0,50 dão R$ 1,80.
A referência de margem que ele usa com os mentorados fica entre 30% e 40%. Rode com 40% na loja de 37% de fixo e veja o que sobra:
1 menos 0,37 menos 0,40 dá 0,23. R$ 0,90 divididos por 0,23 dão R$ 3,91.
Item idêntico, R$ 1,80 numa loja e R$ 3,91 na outra, e nenhum dos dois valores veio de pesquisa de mercado: os dois saíram da estrutura de cada loja.
Fique de olho num sinal. Se o percentual de custo fixo somado à margem chegar perto de 1, o divisor vai a zero e a conta explode. Uma loja com 60% de fixo e 40% de margem alvo não tem preço possível, porque a estrutura dela já é maior do que o faturamento aguenta.
Por que o percentual aguenta volume variável
Porque o cálculo não depende de quantas peças você vai fazer no mês.
O rateio por unidade exige um número que você só descobre no dia 30. Enquanto o mês corre, o custo por peça é chute. E quando o mês fecha diferente do previsto, o preço que você praticou já era.
O percentual usa faturamento médio, que é bem mais estável que contagem de peça. E ele se ajusta sozinho ao mix. Se você vender mais bolo e menos brigadeiro no mês, o percentual continua valendo, porque cada venda contribui na proporção do próprio valor.
Isso resolve outro incômodo comum em quem produz sob encomenda. Você não precisa saber quantos itens vai vender de cada tipo para fechar o preço de nenhum deles.
De quanto em quanto tempo recalcular
A cada três meses, com três meses fechados.
Use a média dos três, nunca o melhor mês. Se essa loja de R$ 6.000 usasse um pico de R$ 9.000 como base, a conta daria R$ 2.220 divididos por R$ 9.000, ou 24,7%. O preço sairia calculado com 24,7% de estrutura numa loja que tem 37%. São 12,3 pontos de custo saindo do preço em toda venda, todo dia, até alguém notar que não sobra dinheiro.
Regra prática para revisar preço: se o percentual mudar mais de 3 pontos entre um trimestre e outro, refaça a tabela. Mudou menos que isso, deixe quieto.
E separe os canais. O mesmo produto vendido no balcão e vendido por aplicativo não tem o mesmo custo fixo, porque a taxa do aplicativo entra só num deles. Dois canais pedem dois percentuais e dois preços.
Quando o percentual vem alto
Trinta e sete por cento de custo fixo não é erro de conta, é um número que mostra o tamanho da estrutura em relação ao que a loja fatura.
Antes de mexer no preço, olhe as duas alavancas que aparecem na própria fração.
A primeira alavanca é o denominador, o faturamento. Se ele sobe de R$ 6.000 para R$ 9.000 com o mesmo R$ 2.220 de estrutura, o custo fixo cai para 24,7% e o preço do item de R$ 0,90 com 30% de margem passa a ser R$ 0,90 dividido por 0,453, ou R$ 1,99.
A segunda é o numerador, a estrutura. Um aluguel de R$ 900 dentro de R$ 6.000 de faturamento representa 15 pontos do preço de tudo que sai da loja.
Cortar margem é a terceira opção, e não a primeira, porque é a única das três que não muda nada no negócio e ainda reduz o que sobra para você.
Perguntas frequentes
Como ratear custo fixo por percentual de faturamento?
Divida o custo fixo do mês pelo faturamento do mês. R$ 2.220 de custo fixo sobre R$ 6.000 faturados dão 37%, e cada produto passa a carregar 37% do próprio preço em estrutura. Use a média de três meses fechados, nunca o melhor mês: um pico de R$ 9.000 derrubaria a conta para 24,7% e tiraria 12,3 pontos de todo preço.
É melhor ratear custo fixo por unidade ou por faturamento?
Por faturamento, sempre que você vende itens de preços diferentes. O rateio por unidade faz os mesmos R$ 2.220 de custo fixo virarem R$ 2,47 por peça num mês de 900 unidades e R$ 1,00 num mês de 2.220. Ele ainda cobra R$ 1,48 tanto do item de R$ 3,00 quanto do item de R$ 60,00, que é 49% contra 2,5% do preço.
Como calcular o preço de venda usando o custo fixo em percentual?
Divida o custo direto por 1 menos o percentual de custo fixo menos a margem alvo. Um item de R$ 0,90 de custo direto, numa loja com 37% de fixo e 30% de margem, sai a R$ 2,73, porque o divisor é 0,33. Na loja com 20% de fixo, o mesmo item sai a R$ 1,80. Estrutura diferente, preço diferente.
De quanto em quanto tempo recalcular o percentual de custo fixo?
A cada três meses, com três meses fechados e pela média deles. Se o percentual mudar mais de 3 pontos entre um trimestre e outro, refaça a tabela de preços; mudou menos, deixe quieto. Separe os canais também, porque balcão e aplicativo não carregam o mesmo custo fixo e pedem dois percentuais e dois preços.
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Comece pelo seu percentual, não pelo preço
Pegue os três últimos meses fechados. Some o custo fixo de cada um, some o faturamento de cada um, divida um pelo outro. Você vai ter um número entre 0 e 1 que explica quase todo o resultado do seu mês.
Depois disso, o preço de qualquer item sai em uma linha de conta.
A gente faz essa planilha sob medida, com o seu bloco de custo fixo, o seu cadastro de insumo e o percentual recalculado a cada fechamento. Se você não sabe dizer hoje qual é o seu percentual, manda uma mensagem com o faturamento médio e a lista do que sai fixo todo mês.
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