O custo de um posto de portaria 24 horas não é o salário de quatro porteiros, é a folha inteira somada a encargos, benefícios, cobertura de folga e a hora extra que aparece quando alguém falta. Empresa que fecha contrato olhando só o salário descobre o buraco no terceiro mês.
Quem ganha ou perde dinheiro não é a empresa, é cada posto. E só dá para saber qual posto paga quando o custo é montado posto a posto.
Se a empresa tem 9 ou 40 postos e a margem de cada um nunca foi calculada separada, a gente monta uma planilha personalizada para o custo por posto, com escala, cobertura e hora extra entrando na conta todo mês.
Um posto 24h em escala 12×36, aberto item por item
Posto de portaria 24 horas, sete dias por semana, escala 12×36. São quatro pessoas fixas: duas no diurno alternando, duas no noturno alternando. Valores de exemplo, com salário base de R$ 1.860,00 e encargos e provisões calculados a 70% da folha:
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| 4 porteiros, salário base | R$ 7.440,00 |
| Adicional noturno | R$ 744,00 |
| Encargos e provisões, 70% sobre a folha | R$ 5.728,80 |
| Vale-transporte, 4 pessoas | R$ 880,00 |
| Vale-refeição, 4 pessoas | R$ 1.920,00 |
| Uniforme e EPI, rateio mensal | R$ 160,00 |
| Cobertura de folga, férias e falta | R$ 1.640,00 |
| Custo direto do posto | R$ 18.512,80 |
| Supervisão, deslocamento e administração | R$ 1.850,00 |
| Custo total do posto | R$ 20.362,80 |
Com o contrato a R$ 24.900,00 por mês, sobram R$ 4.537,20, ou 18,2%. O número que quase todo mundo pula é a penúltima linha do bloco direto: a cobertura. Escala 12×36 fecha o calendário no papel e não fecha na vida real, porque existe férias, atestado, falta e demissão no meio do mês.
O rateio de supervisão e administração segue a mesma lógica descrita em como ratear custo fixo por percentual de faturamento. Se esse rateio não entrar no posto, a soma das margens dos postos dá lucro e a empresa dá prejuízo.
A hora extra que come a margem inteira
Quando o folguista não cobre, alguém dobra. O plantão de 12 horas pago como extra, a 50%, sai por R$ 152,18 com o salário do exemplo. Com encargos, R$ 258,71.
| Plantões extras no mês | Custo com encargos | Margem que sobra | Margem em % |
|---|---|---|---|
| 0 | R$ 0,00 | R$ 4.537,20 | 18,2% |
| 9 | R$ 2.328,38 | R$ 2.208,82 | 8,9% |
| 14 | R$ 3.621,93 | R$ 915,27 | 3,7% |
| 18 | R$ 4.656,76 | R$ 119,56 negativos | negativo |
Dezoito plantões extras num mês parecem muito até você contar um posto com dois atestados longos e um pedido de demissão na mesma quinzena. O posto vira prejuízo sem que ninguém perceba, porque a folha da empresa inteira continua parecendo normal.
O registro precisa ser por posto e por plantão, não por funcionário. A folha diz quanto de hora extra a empresa pagou; ela não diz em qual contrato aquela hora foi queimada. Sem essa amarração, o gestor corta hora extra no lugar errado.
O controle de quem cobriu qual plantão é o mesmo trabalho de controle de rota e horas em empresa de limpeza: uma linha por plantão, com data, posto, pessoa e se foi escala ou cobertura.
O contrato que não foi reajustado
Convenção coletiva sobe o piso em uma data certa todo ano. O contrato com o cliente reajusta em outra data, ou reajusta por um índice diferente, ou não reajusta porque ninguém lembrou de mandar a carta.
| Situação | Custo do posto | Valor do contrato | Margem |
|---|---|---|---|
| Antes do reajuste do piso | R$ 20.362,80 | R$ 24.900,00 | 18,2% |
| Piso sobe 6%, contrato parado | R$ 21.457,80 | R$ 24.900,00 | 13,8% |
| Piso sobe 6%, contrato sobe 6% | R$ 21.457,80 | R$ 26.394,00 | 18,7% |
A linha do meio é o padrão em empresa que não tem calendário de reajuste. Com 12 postos nessa situação, são R$ 13.140,00 por mês que evaporam sem nenhuma decisão errada, só por esquecimento.
O controle é uma coluna com a data-base de cada contrato e um aviso 60 dias antes. Mesmo que o cliente negocie para baixo, a conversa acontece. O que não pode é o ano passar inteiro com o custo novo e o preço velho.
O que a empresa enxerga quando o custo é por posto
Com escala, folha, cobertura, hora extra e contrato na mesma base, saem respostas que a folha geral nunca dá:
- qual posto tem margem acima de 15% e qual está abaixo de 5%
- quantos plantões de cobertura cada posto consumiu no mês
- quais contratos passaram da data-base sem reajuste
- quanto custa de verdade abrir um posto novo antes de fechar o preço
- quais postos concentram falta e atestado, e há quanto tempo
O último costuma mostrar o problema real. Falta concentrada em um posto raramente é coincidência: costuma ser posto longe, escala ruim, cliente difícil ou supervisão ausente. Quem só olha o total de faltas da empresa não enxerga a concentração e acaba tratando sintoma.
Saber o custo antes de propor o preço é o que separa a proposta que fecha com margem da proposta que fecha e dói. É a mesma conta do ponto de equilíbrio, aplicada a uma unidade só: o posto.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas são necessárias para um posto 24h em escala 12×36?
Quatro pessoas fixas cobrem o calendário no papel: duas no turno diurno alternando e duas no noturno. Na prática é preciso somar a cobertura de férias, atestado e falta, que no exemplo acrescenta R$ 1.640,00 por mês ao custo do posto. Empresa que dimensiona só as quatro pessoas paga essa diferença em hora extra, mais cara.
Como calcular o custo real de um posto de portaria?
Some salário base, adicional noturno, encargos e provisões, vale-transporte, vale-refeição, uniforme e a cobertura de folga. No exemplo de posto 24h com salário de R$ 1.860,00, o custo direto fica em R$ 18.512,80 e chega a R$ 20.362,80 com o rateio de supervisão e administração. Só depois disso faz sentido comparar com o valor do contrato.
Quanto de hora extra um posto aguenta antes de dar prejuízo?
Depende da margem do contrato. No exemplo, com margem de 18,2%, o posto suporta 14 plantões extras no mês e ainda fecha com 3,7%. Aos 18 plantões, fecha no negativo. Por isso o registro de hora extra precisa dizer em qual posto ela foi gasta, não apenas quanto a empresa pagou no total.
O que acontece quando o piso sobe e o contrato não reajusta?
A margem cai na mesma proporção do aumento do custo. No exemplo, um reajuste de 6% no piso sem reajuste no contrato derruba a margem de 18,2% para 13,8%. Com 12 postos nessa situação, são R$ 13.140,00 por mês. Uma coluna com a data-base de cada contrato e um aviso 60 dias antes evita quase todo esse tipo de perda.
Leia também
- Como ratear custo fixo por percentual de faturamento
- Controle de rota e horas em empresa de limpeza
- Como calcular o ponto de equilíbrio do seu negócio
Comece por um posto só
Escolha o posto mais antigo da carteira e abra o custo dele linha por linha, do salário base ao rateio de supervisão. Depois compare com o valor do contrato. O resultado costuma explicar o caixa do último trimestre melhor que qualquer relatório da folha.
Feito uma vez, o modelo serve para todos os outros postos, e a próxima proposta sai com o custo na mão em vez de sair no chute.
A gente monta essa planilha com a sua convenção, a sua escala, os seus contratos e a hora extra amarrada ao posto onde foi gasta.
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