A planilha para marcenaria que mostra o lucro real guarda, para cada projeto, o custo orçado e o custo realizado de chapas, ferragens, horas de fábrica e montagem, e subtrai a parte do custo fixo da oficina. Sem essa comparação, o marceneiro sabe que o mês entrou dinheiro, mas não sabe qual móvel deu lucro e qual deu prejuízo.
O orçamento sai de um plano de corte e de uma estimativa de horas. A obra gasta o que o material e a bancada realmente pedem. A diferença entre os dois é o lucro que desaparece.
O que muda entre o orçado e o realizado
Projeto de exemplo: uma cozinha planejada fechada por R$ 28.000,00. A oficina tem R$ 18.000,00 de custo fixo por mês (aluguel, energia, salários de apoio, pró-labore) e faz 6 projetos por mês, então cada projeto carrega R$ 3.000,00 de custo fixo. Os valores são de exemplo.
| Item | Orçado | Realizado | Diferença |
|---|---|---|---|
| Chapas de MDF | 15 × R$ 280,00 = R$ 4.200,00 | 18 × R$ 280,00 = R$ 5.040,00 | +R$ 840,00 |
| Ferragens | R$ 2.200,00 | R$ 2.350,00 | +R$ 150,00 |
| Fita de borda e cola | R$ 380,00 | R$ 420,00 | +R$ 40,00 |
| Horas de fábrica | 130 h × R$ 35,00 = R$ 4.550,00 | 160 h × R$ 35,00 = R$ 5.600,00 | +R$ 1.050,00 |
| Montagem e frete | R$ 1.400,00 | R$ 1.650,00 | +R$ 250,00 |
| Custo direto | R$ 12.730,00 | R$ 15.060,00 | +R$ 2.330,00 |
Com o custo fixo de R$ 3.000,00 rateado, o lucro orçado era de R$ 12.270,00 (43,8% do preço). O lucro real foi de R$ 9.940,00 (35,5%). Saíram R$ 2.330,00 do bolso do marceneiro sem que nenhum cliente reclamasse de nada.
Quem controla vários projetos ao mesmo tempo, cada um com compra de material e horas em dias diferentes, precisa de uma planilha sob medida para o custo de cada projeto em que a compra de chapa e as horas lançadas já caem no projeto certo.
Aproveitamento de chapa: o custo que ninguém vê
A chapa de MDF mais comum mede 2,75 m por 1,85 m, ou 5,09 m². Se o projeto tem 70 m² de peças, o mínimo teórico é de 13,8 chapas. O plano de corte orçou 15, um aproveitamento de 92%. A obra consumiu 18.
| Situação | Chapas | Aproveitamento | Custo de chapa |
|---|---|---|---|
| Plano de corte do orçamento | 15 | 92% | R$ 4.200,00 |
| Consumo real da obra | 18 | 76% | R$ 5.040,00 |
| Sobra paga e não vendida | 3 | 16 pontos | R$ 840,00 |
As 3 chapas a mais têm causas conhecidas: peça cortada errada, medida refeita depois da visita ao local, retalho que não serviu em outro projeto. Cada causa pede uma ação diferente, mas só aparece se a planilha compara o plano com o consumo, em vez de só somar a nota de compra do mês.
Retalho que volta para o estoque
Parte da sobra é reaproveitável. Uma chapa cortada pela metade serve para gaveta de outro projeto. Se o retalho não é lançado no estoque, a próxima compra repete o gasto. O controle de quantas peças restam por tipo segue a lógica de como controlar estoque por lote e validade, trocando o lote por cor e espessura da chapa.
Horas de fábrica: a estimativa que escorrega
O orçamento previu 130 horas e a obra levou 160. A diferença de 30 horas custou R$ 1.050,00. Em marcenaria, as horas escorregam por três motivos que se repetem:
- Retrabalho de peça cortada ou furada errado
- Alteração pedida pelo cliente depois do projeto assinado
- Espera por material, quando o marceneiro para uma peça e começa outra
Cada um tem um custo diferente. A alteração do cliente deve ser cobrada, e o retrabalho não. Se as 30 horas entram todas como “horas do projeto”, o marceneiro não enxerga que 12 delas eram alteração que poderia ter virado aditivo de R$ 420,00.
Três jeitos de dar preço ao mesmo projeto
A mesma cozinha, precificada por três métodos que aparecem na prática, e o lucro de cada um depois de pagar o custo real e o rateio fixo (R$ 18.060,00):
| Método | Preço | Lucro depois do custo real |
|---|---|---|
| Metro linear (7 m × R$ 4.000,00) | R$ 28.000,00 | R$ 9.940,00 |
| 3 vezes o custo de material orçado (R$ 6.780,00) | R$ 20.340,00 | R$ 2.280,00 |
| 4 vezes o custo de material orçado | R$ 27.120,00 | R$ 9.060,00 |
O multiplicador sobre o material parece prático e esconde o problema: ele pressupõe que horas e montagem acompanham o material. Num projeto com muita ferragem e pouca chapa, ou com tampo e acabamento caros, a proporção muda e o preço sai errado. O raciocínio de separar a conta de cada componente é o mesmo de como montar uma ficha técnica de produto que fecha.
O que cada projeto precisa registrar
| Campo | Para que serve |
|---|---|
| Cliente, ambiente e valor fechado | Base do preço e da margem |
| Plano de corte com número de chapas | Define o aproveitamento esperado |
| Compras de chapa, ferragem e fita por projeto | Gera o custo de material realizado |
| Horas por etapa: corte, montagem em fábrica e instalação | Mostra onde a estimativa escorrega |
| Alterações pedidas e valor cobrado | Separa aditivo de prejuízo |
| Rateio de custo fixo | Transforma margem em lucro |
| Parcelas recebidas | Liga o projeto ao caixa |
Com esses campos, o fechamento do projeto vira uma linha: orçado, realizado, diferença e lucro. A comparação entre vários projetos mostra qual tipo de móvel rende mais por hora de fábrica. Se a cozinha dá R$ 62,13 por hora (R$ 9.940,00 ÷ 160 h) e um guarda-roupa dá R$ 90,00, a oficina sabe qual aceitar quando a agenda está cheia.
A parte do cliente, do orçamento aprovado até virar pedido, tem seu próprio fluxo, descrito em como controlar orçamento aprovado até virar pedido.
Perguntas frequentes
Como calcular o lucro de um móvel planejado?
Subtraia do preço fechado o custo de chapas, ferragens, fita, horas de fábrica e montagem, e depois a parte do custo fixo da oficina. Numa cozinha de R$ 28.000,00 com custo direto de R$ 15.060,00 e R$ 3.000,00 de custo fixo, o lucro é de R$ 9.940,00, ou 35,5%.
Como saber o aproveitamento de chapa de MDF?
Divida a área de peças do projeto pela área das chapas consumidas. Uma chapa de 2,75 m por 1,85 m tem 5,09 m². Com 70 m² de peças e 18 chapas, o aproveitamento é de 76%. Com as 15 chapas do plano de corte, seria de 92%.
Por que o custo real do projeto passa do orçado?
Os motivos mais comuns são chapa a mais por erro de corte, horas de fábrica acima da estimativa e alteração do cliente não cobrada. No exemplo, 3 chapas a mais custaram R$ 840,00 e 30 horas a mais custaram R$ 1.050,00, somando R$ 1.890,00 dos R$ 2.330,00 de diferença.
Vale usar multiplicador do material para dar preço?
Funciona só quando todos os projetos têm a mesma proporção entre material, horas e montagem. Numa cozinha com material orçado de R$ 6.780,00, multiplicar por 3 dá R$ 20.340,00 e deixa lucro de R$ 2.280,00, contra R$ 9.940,00 do preço por metro linear.
Leia também
- Como controlar estoque por lote e validade
- Como montar uma ficha técnica de produto que fecha
- Como controlar orçamento aprovado até virar pedido
Comece pelo último projeto entregue
Pegue o último móvel entregue, some as notas de compra, as horas anotadas e a montagem, e compare com o que foi orçado. Se a diferença passar de 10% do custo, ela está nos outros projetos também.
A gente monta essa planilha com os seus tipos de projeto, o plano de corte, o controle de retalho e o lucro de cada obra calculado a partir das compras e das horas lançadas.
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